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NBR 16325: linhas de vida e pontos de ancoragem

NBR 16325: linhas de vida e pontos de ancoragem

Entenda os requisitos técnicos dos dispositivos de ancoragem, os cuidados na instalação e a importância de inspecionar os sistemas de proteção contra quedas.

O trabalho em altura faz parte da rotina de diversas operações industriais, atividades de manutenção e serviços executados em telhados e coberturas. Nessas situações, contar com um sistema adequado de proteção contra quedas é essencial para preservar a integridade dos trabalhadores e reduzir os riscos da operação.

Entre as referências técnicas aplicáveis a esse cenário está a ABNT NBR 16325, que estabelece requisitos e métodos de ensaio para dispositivos de ancoragem utilizados como parte de sistemas individuais de proteção contra quedas.

Mas o que essa norma aborda? Qual é a diferença entre um dispositivo de ancoragem e um sistema completo? E quais cuidados devem ser considerados na instalação de uma linha de vida?

Neste artigo, a Prevenção Alpinismo apresenta os principais pontos que gestores, profissionais de segurança do trabalho e responsáveis pela manutenção industrial devem conhecer.

O que é a ABNT NBR 16325?

A ABNT NBR 16325 trata dos requisitos de desempenho, dos métodos de ensaio e das informações de uso e identificação dos dispositivos de ancoragem destinados à proteção individual contra quedas.

A norma está dividida em duas partes:

  • ABNT NBR 16325-1: dispositivos de ancoragem dos tipos A, B, D e E.
  • ABNT NBR 16325-2: dispositivos de ancoragem do tipo C, relacionados às linhas de ancoragem horizontais flexíveis.

As edições de 2024 atualizaram os requisitos técnicos e a classificação desses dispositivos. Por isso, é importante que fabricantes, projetistas e empresas responsáveis pela instalação considerem a edição aplicável ao equipamento e à solução adotada.

Vale destacar que atender aos requisitos de um dispositivo não significa, isoladamente, que toda a instalação esteja adequada. O sistema precisa ser compatível com a estrutura, os equipamentos utilizados e as condições reais de trabalho.

Qual é a diferença entre linha de vida e ponto de ancoragem?

Embora os dois recursos estejam relacionados à proteção contra quedas, eles possuem funções distintas.

Ponto de ancoragem: é o local ou dispositivo previsto para conectar os equipamentos que integram o sistema de proteção. Sua utilização depende da compatibilidade do dispositivo, da fixação e da estrutura que recebe os esforços.

Linha de vida: é um sistema de ancoragem que permite a conexão e, conforme sua configuração, a movimentação do trabalhador ao longo de um percurso protegido.

As linhas de vida podem ser projetadas para diferentes aplicações, como coberturas industriais, telhados metálicos, estruturas de concreto e áreas de manutenção.

A escolha da solução deve considerar fatores como geometria da estrutura, número de usuários, deslocamento necessário, possibilidade de queda, distância livre disponível e esforços transmitidos à estrutura

Quais são os tipos de dispositivos de ancoragem previstos na NBR 16325?

A classificação técnica auxilia na identificação da solução mais adequada para cada aplicação.

Tipo A — dispositivos fixados à estrutura

São dispositivos que possuem um ou mais pontos de ancoragem estacionários durante o uso e que são fixados à estrutura por meio de ancoragens estruturais ou elementos de fixação.

Tipo B — dispositivos transportáveis

São soluções removíveis que podem ser posicionadas sobre, ao redor ou através de uma estrutura, conforme as condições previstas pelo fabricante. Tripés e determinados dispositivos transportáveis são exemplos dessa categoria.

Tipo C — linhas de ancoragem horizontais flexíveis

São sistemas que utilizam uma linha flexível, como um cabo, para permitir a conexão do usuário ao longo de um percurso definido. O dimensionamento deve considerar os esforços nas extremidades, a deformação da linha e a distância livre necessária para a retenção de uma queda.

Tipo D — linhas de ancoragem rígidas

Utilizam uma linha rígida, como um trilho, para orientar o deslocamento de um ponto móvel de ancoragem.

Tipo E — dispositivos de ancoragem com contrapeso

Utilizam contrapeso e atrito conforme o projeto do dispositivo, sem depender de perfurações na superfície para sua fixação. A aplicação exige atendimento aos limites e às condições especificados pelo fabricante.

A classificação, por si só, não determina qual sistema deve ser instalado. A seleção depende de avaliação técnica e das características do local.

Quais cuidados são importantes na instalação de uma linha de vida?

Uma linha de vida não deve ser escolhida ou instalada apenas pela aparência dos componentes ou pela facilidade de montagem. A segurança depende do desempenho do conjunto.

Entre os principais cuidados estão:

1. Avaliação da estrutura

Antes da instalação, é necessário verificar se a estrutura de suporte é adequada para receber os esforços previstos. Em telhados metálicos, por exemplo, devem ser consideradas as características da cobertura, das terças, das ligações e dos pontos de fixação.

2. Especificação dos componentes

Os dispositivos, conectores e demais componentes precisam ser compatíveis entre si e utilizados de acordo com as instruções técnicas aplicáveis.

3. Dimensionamento do sistema

O projeto deve considerar as condições de utilização, a quantidade de usuários autorizados, os esforços gerados em uma eventual queda e a distância livre necessária para evitar o impacto contra níveis inferiores ou obstáculos.

4. Instalação conforme as especificações

A montagem deve seguir o projeto, as instruções do fabricante e os procedimentos técnicos pertinentes. Alterações improvisadas podem comprometer o desempenho do sistema.

5. Registros e documentação

Os documentos técnicos devem permitir identificar a solução instalada, suas condições de utilização, as limitações aplicáveis e as responsabilidades envolvidas. Quando exigível, deve ser providenciada a documentação de responsabilidade técnica correspondente.

Por que inspecionar os dispositivos de ancoragem?

A instalação de um sistema de proteção contra quedas não elimina a necessidade de acompanhamento ao longo de sua vida útil.

A exposição ao tempo, à corrosão, às vibrações e às intervenções na estrutura pode afetar componentes e fixações. Além disso, modificações na cobertura ou na operação podem alterar as condições originalmente previstas.

Uma inspeção técnica pode envolver, conforme o tipo de sistema e os procedimentos aplicáveis:

  • Verificação visual do estado de conservação dos componentes;
  • Identificação de corrosão, deformações, danos ou sinais de desgaste;
  • Avaliação das fixações e dos pontos acessíveis de conexão;
  • Conferência dos registros e da documentação disponível;
  • Identificação de não conformidades e recomendações de correção.

A frequência e o método de inspeção devem seguir os requisitos aplicáveis, as orientações do fabricante, as condições de uso e a avaliação técnica do sistema.

Se houver suspeita de dano ou comprometimento, o dispositivo deve ser retirado de uso até que sua condição seja avaliada por profissional competente.

NBR 16325 e NR-35: como essas referências se relacionam?

A ABNT NBR 16325 aborda os dispositivos de ancoragem, enquanto a NR-35 estabelece requisitos de segurança para o trabalho em altura.

Na prática, a conformidade exige uma visão integrada: o dispositivo precisa ser apropriado à aplicação, e o sistema de proteção deve ser selecionado, instalado e utilizado de forma compatível com os riscos identificados.

Isso envolve planejamento, avaliação de riscos, seleção dos equipamentos, capacitação dos trabalhadores, procedimentos de trabalho e preparação para situações de emergência, conforme os requisitos aplicáveis.

A adoção de um componente tecnicamente adequado não substitui o planejamento completo da atividade.

Como a Prevenção Alpinismo pode ajudar sua empresa?

A Prevenção Alpinismo atua em atividades de segurança do trabalho em altura e alpinismo industrial, incluindo serviços relacionados à instalação e à inspeção de linhas de vida e pontos de ancoragem.

Cada estrutura apresenta características próprias. Por isso, a definição do serviço deve partir das condições existentes, dos riscos envolvidos e dos requisitos técnicos pertinentes.

Se sua empresa precisa instalar um sistema de proteção contra quedas, avaliar dispositivos existentes ou planejar intervenções em coberturas industriais, uma avaliação técnica pode ajudar a identificar as necessidades e orientar os próximos passos.

Entre em contato com a Prevenção Alpinismo e solicite uma avaliação para sua operação.

Segurança em altura começa com planejamento, especificação adequada e execução responsável.

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